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Competência 7: Inovação e mudança

Inovação e Mudança: Fundamentos e Aplicações Contemporâneas

Introdução

Ao longo da minha experiência profissional, percebi que a capacidade de inovar e adaptar-se às mudanças é um dos fatores mais determinantes para o sucesso em um ambiente cada vez mais competitivo e dinâmico. Seja em organizações, seja em indivíduos, a inovação tornou-se um diferencial essencial para sobreviver e prosperar em um mundo globalizado. Este texto é mais do que uma exploração teórica; é um reflexo das minhas vivências e aprendizados embasados nas contribuições de autores clássicos e contemporâneos, com foco em aplicações práticas e nos desafios que enfrentei.

Inovar e promover mudanças são atitudes que transformam não apenas produtos e processos, mas principalmente pessoas, equipes e a sociedade como um todo. A inovação não acontece de forma mágica: ela surge quando alguém tem a coragem de desafiar o que já é conhecido, de questionar o que parece imutável, e de buscar soluções diferentes para problemas antigos. É um processo que exige criatividade, mas também exige resiliência, paciência e a disposição de enfrentar incertezas e resistências.

Mudar o jeito de fazer as coisas nem sempre é simples. Muitas vezes, surgem medos, dúvidas e até mesmo barreiras invisíveis que dificultam a aceitação de novas ideias. Por isso, o primeiro passo para transformar qualquer realidade é criar um ambiente de segurança e confiança, onde as pessoas sintam que podem errar, tentar de novo e contribuir com ideias sem medo de julgamento. Quando uma equipe sente que sua voz é ouvida, ela se torna mais criativa, mais engajada e mais capaz de encontrar soluções inovadoras.

A inovação também exige um olhar atento para o contexto em que estamos inseridos. O mundo muda o tempo todo: novas tecnologias surgem, as necessidades das pessoas evoluem e as expectativas se transformam. Por isso, inovar é estar sempre atento às oportunidades, pronto para ajustar o caminho quando for necessário, sem perder de vista os valores que nos guiam.

Mais do que lançar algo novo, inovar é ter coragem de fazer diferente, é identificar o que precisa ser melhorado, entender os desafios, reunir forças para mudar e, acima de tudo, agir com propósito. A inovação precisa estar conectada com um sentido maior, com uma visão de futuro que beneficie não apenas uma empresa, mas também as pessoas e o planeta.

No fim, inovar é um exercício de esperança. É acreditar que é possível transformar o presente em algo melhor e trabalhar, todos os dias, para que isso aconteça. E a mudança? Ela é o caminho que nos leva até lá, uma jornada que só é possível quando há propósito, coragem e compromisso com algo maior do que nós mesmos.

Documentos das experiências vividas:

Fundo de Investimento em Pessoal
Projeto Central de Cobranças
Projeto Central de Cobranças
Projeto Central de Cobranças
Projeto Centralização SELS
Projeto Centralização SELS
Projeto Construção de Igreja Padrão
Projeto Construção de Igreja Padrão
Projeto Construção de Igreja Padrão
Projeto Construção de Igreja Padrão
Projeto Serralheria
Projeto Serralheria

Cantinas Superbom

Cantinas Superbom
Cantinas Superbom
Cantinas Superbom

Avaliação experiências vividas:


Projeto Central de Cobranças

Com o objetivo de trazer uma inovação significativa para a área educacional dentro da organização adventista na região Sudeste, foi criado o projeto Central de Cobranças Sudeste Cobranças.

“Percebo que a Central de Cobrança veio em um momento oportuno e pontual, tanto para o campo quanto para o crescimento da educação na USeB. Ela parametrizou os procedimentos dentro do campo e de cada unidade escolar, ajustando pequenos detalhes que, à primeira vista, pareciam simples rotinas do dia a dia das unidades e dos tesoureiros. No entanto, hoje, compreendemos que esses detalhes se tornaram tão relevantes que se transformaram em normas fundamentais. Além disso, a Central de Cobrança marcou a vida de muitos alunos voluntários, que fizeram parte ativa do crescimento dessa instituição. Eles levaram consigo não apenas marcas para a vida, mas também experiências profissionais valiosas, que contribuíram para torná-los profissionais com uma bagagem única, que dificilmente encontrariam em outro lugar. Tivemos um líder Pr. Daniel que, com vasta experiência, olhou para o todo, mas também teve a sensibilidade de enxergar as necessidades de cada unidade. Algumas normas que foram implementadas se tornaram verdadeiros princípios de liberdade financeira, organização e crescimento.” (Jeferson da Silva, Tesoureiro Assistente AMS, declaração pessoal. 2025).

 

Dentro desse projeto, foram desenvolvidas diversas ações com foco no tratamento preventivo da inadimplência. Uma dessas ações foi a implementação de uma régua de cobrança bem estruturada, por meio da qual os pais passaram a ser lembrados e informados sobre o vencimento das mensalidades escolares por mensagens automáticas. Além disso, como parte da inovação, foi integrada à equipe um advogado responsável por dar atenção especial aos vencimentos de anos anteriores — recursos que, muitas vezes, ficavam esquecidos.

A surpresa foi grande ao percebermos que muitos dos inadimplentes antigos vieram acertar seus débitos, regularizando suas pendências com a organização e com a Educação Adventista.

Talvez a maior inovação desse projeto tenha sido o fato de ele ter sido desenvolvido dentro de uma faculdade adventista, aproveitando o talento e a dedicação de alunos que ali estavam estudando. Essa estratégia promoveu uma mudança significativa na forma como as escolas passaram a lidar com clientes inadimplentes, resultando em uma redução expressiva nos índices de inadimplência.

Outro destaque importante do projeto é a formação dos alunos: os estudantes que participaram do projeto saíram preparados para o mercado de trabalho, e muitos foram absorvidos ou aproveitados pelas próprias associações da igreja.

O líder precisa estar constantemente atento às oportunidades de inovar e, assim, promover mudanças positivas para a organização, garantindo a sustentabilidade e o crescimento contínuo da missão.

Projeto Construção de Igreja Padrão

O Projeto Igreja Padrão tem como objetivo atender a uma necessidade muito grande que a Igreja Adventista possui. Esse projeto se constitui como uma estratégia para envolver os membros na realização de reformas ou mesmo na construção de novos templos. Dessa forma, a participação dos membros torna o processo de construção mais saudável, pois o engajamento da igreja em um projeto como esse também gera crescimento em outras áreas — como a espiritualidade, a missão e a fidelidade.

“Gerenciei obras de igrejas e escolas por 18 anos, junto com o Pr. Daniel Grubert. Foram anos de muito aprendizado. Duas frases me marcaram profundamente: “Plantando igrejas e colhendo esperança” e “Vivendo no presente, mas pensando no futuro”. O futuro é ver muitos irmãos que aceitaram a Jesus nesses templos construídos. Obrigado Pr. Daniel, por me permitir fazer parte desse sonho, que hoje é realidade.” (Iutamar Bacelar, Gerente de Obras AMT, declaração pessoal, 2025).

Os desdobramentos desse projeto são muito interessantes. Entendendo que uma construção precisa ter economia, agilidade e qualidade, a Associação passou a fabricar as próprias estruturas metálicas para as igrejas. Essa decisão permitiu não apenas uma economia significativa, mas também o aumento da qualidade na execução dos serviços em nossos templos.

Outro destaque importante é a possibilidade de realizar a compra de materiais em grande escala, o que proporciona uma economia ainda mais expressiva e, muitas vezes, eleva a qualidade, já que as compras são feitas de forma corporativa e padronizada.

Essa inovação, da qual participamos desde 2011, trouxe uma mudança significativa na forma como construímos e reformamos nossas igrejas. Ela demonstra que a união entre propósito, planejamento estratégico e inovação pode transformar desafios em oportunidades e gerar impactos positivos para toda a comunidade de fé.

Liderança estratégica e inovação comunitária são fundamentais para construir não apenas templos, mas também pontes de esperança, desenvolvimento e compromisso com a missão de Deus. Inovação e mudança são os motores que transformam ideias em ações concretas, impulsionam o crescimento e renovam a relevância das organizações diante dos desafios do futuro.

Base de conhecimento e reflexão:

É importante enfatizar que para Maxwell as adversidades são oportunidades para o crescimento e fortalecimento da liderança. Em vez de sucumbir aos desafios, líderes eficazes utilizam esses momentos para desenvolver resiliência e aprimorar suas habilidades. “Tempos difíceis não destroem bons líderes; ao contrário, os constroem.” (Maxwell, 2022, p. 14)

Maxwell destaca a responsabilidade dos líderes em enfrentar diretamente os desafios. Assumir a liderança na resolução de problemas demonstra compromisso e inspira confiança na equipe. “Bons líderes nunca delegam a solução de problemas para outro.” (Maxwell, 2022, p. 14)

Nesta citação, os autores Marinho e Oliveira destacam que líderes eficazes não apenas reagem às mudanças, mas as antecipam, promovendo inovações que asseguram a continuidade e o sucesso organizacional. Isso enfatiza a importância da proatividade e da visão estratégica na liderança. “A liderança eficaz requer a capacidade de antecipar mudanças e promover inovações que garantam a sustentabilidade da organização.” (Marinho & Oliveira, 2006, p. 45)

Segundo Marinho e Oliveira a resistência à mudança é uma barreira comum nas organizações. Superá-la requer que os líderes possuam habilidades eficazes de comunicação e persuasão para engajar a equipe e facilitar a transição para novos paradigmas. “A resistência à mudança é um dos maiores desafios enfrentados pelos líderes, exigindo habilidades de comunicação e persuasão para alinhar a equipe aos novos objetivos.” (Marinho & Oliveira, 2006, p. 78)

Joseph Schumpeter (1942), em seu conceito de destruição criativa, destacou que “a inovação é o motor do desenvolvimento econômico”. Ao analisar suas ideias, lembrei-me de projetos nos quais participei onde a introdução de novas tecnologias não apenas transformou mercados, mas também gerou resistências significativas. Compreendi que, para inovar, é necessário coragem para desafiar o status quo. Peter Drucker (1985) destacou que “a inovação sistemática consiste em buscar mudanças deliberadas”. Inspirado por suas ideias, passei a estruturar processos de inovação, garantindo que cada etapa fosse planejada e acompanhada com disciplina.

Clayton Christensen (1997), com sua teoria da inovação disruptiva, ensinou-me a valorizar soluções emergentes que, à primeira vista, pareciam pouco competitivas. Em um projeto de inovação digital, vi como uma ferramenta considerada “básica” se tornou essencial para o sucesso da organização. Amy Edmondson (2012) introduziu o conceito de segurança psicológica, destacando que “ambientes onde as pessoas se sentem seguras para compartilhar ideias promovem inovação”. Em minhas experiências, ao criar um ambiente colaborativo, vi equipes florescerem com ideias criativas e soluções ousadas. Rita McGrath (2013) propôs o conceito de “vantagem competitiva transiente”, sugerindo que “o sucesso depende da habilidade de adaptar-se rapidamente a novas oportunidades”. Essa abordagem ressoou quando precisei liderar equipes em um mercado volátil, onde a agilidade era a chave para capturar oportunidades.

Andrew McAfee e Erik Brynjolfsson (2017) exploraram como tecnologias digitais estão transformando indústrias. Em um projeto que liderei, percebi como a adoção de uma ferramenta de automação transformou a eficiência operacional de minha equipe, validando suas observações. Shoshana Zuboff (2019), em sua obra The Age of Surveillance Capitalism, destacou os impactos sociais e organizacionais das tecnologias de coleta de dados. Sua análise me fez refletir sobre a importância de equilibrar avanços tecnológicos com princípios éticos, algo que considero ao trabalhar com novas soluções tecnológicas.

Daniel Kahneman (2011) explorou como os vieses cognitivos influenciam a tomada de decisão, destacando que “muitas inovações fracassam devido a julgamentos errôneos”. Em situações de tomada de decisão complexas, aplicar suas ideias me ajudou a evitar erros que poderiam comprometer projetos importantes.

Teresa Amabile (1996) destacou que “a criatividade prospera em ambientes que incentivam autonomia e diversidade de pensamento”. Em um projeto recente, percebi que dar liberdade criativa à equipe resultou em soluções mais inovadoras e eficazes. Simon Sinek (2009), em Start with Why, argumentou que “a clareza de propósito é essencial para motivar indivíduos e organizações a inovar”. Inspirado por suas ideias, sempre busco alinhar as iniciativas de mudança aos valores compartilhados pela equipe.

Geoffrey Moore (1991), em Crossing the Chasm, destacou os desafios de levar inovações de um grupo de adeptos iniciais para o mercado de massa. Sua teoria me ajudou a planejar a expansão de soluções tecnológicas, garantindo que atendessem às necessidades de um público mais amplo. Naomi Klein (2014) criticou o impacto ambiental de inovações desenfreadas, sugerindo que “o progresso tecnológico deve ser equilibrado com preocupações ecológicas”. Essa perspectiva moldou minha visão sobre como inovações responsáveis podem promover sustentabilidade.

Conclusão

Minha trajetória pessoal e profissional reforça que inovação e mudança são mais do que palavras-chave; são forças transformadoras que moldam indivíduos, organizações e a sociedade como um todo. As contribuições de autores como Schumpeter, Christensen e Edmondson me guiaram em momentos desafiadores, ajudando-me a aplicar conceitos teóricos em contextos práticos. Aprendi que o sucesso na inovação exige não apenas criatividade, mas também coragem e disciplina para implementar mudanças. Acredito que um futuro sustentável e dinâmico dependerá de nossa capacidade coletiva de inovar com responsabilidade e propósito.

Referências:

Amabile, T. M. (1996). Creativity in context: Update to the social psychology of creativity. Westview Press.

Brynjolfsson, E., & McAfee, A. (2017). Machine, platform, crowd: Harnessing our digital future. W. W. Norton & Company.

Christensen, C. M. (1997). The innovator’s dilemma: When new technologies cause great firms to fail. Harvard Business Review Press.

Drucker, P. F. (1985). Innovation and entrepreneurship: Practice and principles. Harper & Row.

Edmondson, A. C. (2012). Teamwork on the fly: How to master the new art of teaming. Harvard Business Review.

Kahneman, D. (2011). Thinking, fast and slow. Farrar, Straus and Giroux.

Klein, N. (2014). This changes everything: Capitalism vs. the climate. Simon & Schuster.

Marinho, R. M., & Oliveira, J. F. de. (2006). Liderança: Uma questão de competência. São Paulo: Saraiva.

Maxwell, J. C. (2022). Lidere em tempos difíceis: Como vencer os desafios com coragem e confiança (1ª ed.). Bello Publicações.

McGrath, R. G. (2013). The end of competitive advantage: How to keep your strategy moving as fast as your business. Harvard Business Review Press.

Moore, G. A. (1991). Crossing the chasm: Marketing and selling high-tech products to mainstream customers. Harper Business.

Schumpeter, J. A. (1942). Capitalism, socialism and democracy. Harper & Brothers.

Sinek, S. (2009). Start with why: How great leaders inspire everyone to take action. Penguin.

Zuboff, S. (2019). The age of surveillance capitalism: The fight for a human future at the new frontier of power. PublicAffairs.