Competência 2: Aprendizado, mentoria e desenvolvimento humano
Liderança e o Eu: Aprendizado, Mentoria e Desenvolvimento Humano
Introdução
Liderança verdadeira começa dentro de nós. Antes de influenciar os outros, precisamos aprender a influenciar e transformar a nós mesmos. Essa é a essência da liderança pessoal: o compromisso com o crescimento, o aprendizado constante e o desejo sincero de se tornar uma pessoa melhor a cada dia.
Aprender a liderar o próprio “eu” é um processo de olhar para dentro, reconhecer fragilidades, celebrar conquistas e transformar erros em lições. Não se trata de buscar perfeição, mas de aceitar que somos seres em construção, e que cada desafio enfrentado pode nos ensinar algo. O aprendizado, nesse contexto, é muito mais do que adquirir conhecimento técnico: é sobre amadurecer emocionalmente, entender nossos valores mais profundos e alinhar nossas decisões a esses princípios.
Mas a liderança não se desenvolve sozinha. Crescer como líder é um caminho que se fortalece ainda mais quando caminhamos com outros. É aí que a mentoria faz toda a diferença. Ter alguém para aconselhar, orientar e inspirar é um presente inestimável. Um mentor abre portas para reflexões, compartilha experiências, oferece perspectivas novas e nos ajuda a enxergar além do que conseguiríamos sozinhos. E, ao mesmo tempo, ser mentor de alguém também é uma oportunidade de crescimento porque, ao guiar o outro, somos desafiados a revisar nossos próprios conceitos e a aprender de novo, de um jeito mais profundo.
A mentoria cria um ciclo de aprendizado mútuo: todos crescem, todos aprendem, todos evoluem. Isso fortalece laços de confiança e constrói uma cultura onde o desenvolvimento humano é prioridade.
Liderança, no fundo, é sobre pessoas e pessoas são o coração do desenvolvimento humano. Quando escolhemos liderar com empatia e generosidade, ajudamos a criar espaços onde os outros também possam crescer, se expressar e alcançar seu potencial. A liderança inspiradora é aquela que valoriza o ser humano em sua totalidade: reconhece talentos, respeita limites e estimula a superação.
No mundo atual, onde tudo muda tão rápido, liderar o próprio “eu” se tornou ainda mais necessário. É essa liderança que nos permite ser resilientes diante das dificuldades, manter o foco quando surgem distrações e, acima de tudo, agir com ética, propósito e coragem.
Por fim, liderança pessoal não é um destino final, mas um caminho de transformação contínua. É um convite a sermos aprendizes para sempre, a buscarmos mentores quando precisamos de apoio e a sermos mentores quando podemos contribuir. É um processo de amadurecimento que nos torna capazes de inspirar, fortalecer e transformar não apenas a nós mesmos, mas também o mundo à nossa volta.
Liderar a si mesmo é o primeiro passo para impactar o mundo de maneira positiva. Ao escolhermos aprender continuamente, nos abrirmos à mentoria e buscarmos o desenvolvimento humano, nos tornamos líderes mais conscientes, mais sensíveis e mais preparados para inspirar os outros a também crescerem. Liderança pessoal é, acima de tudo, uma escolha diária de viver com propósito, integridade e amor ao próximo.
Documentos das experiências vividas:
Avaliação experiências vividas:
Diagnóstico Espiritual e Financeiro
O projeto do Diagnóstico Espiritual-Financeiro tem por finalidade aprofundar o aprendizado, desenvolver a maturidade espiritual e promover o crescimento tanto dos colaboradores quanto dos membros da igreja. É muito fácil falar sobre esse projeto, pois participo dele desde 2006. Ele consiste em preparar o grupo do escritório para ministrar palestras e mensagens à igreja.
“O Diagnostico Espiritual Financeiro na AMC sobre a liderança do Pastor Daniel Grubert, impactou positivamente as igrejas por trazer conhecimento sobre a estrutura da igreja e a maneira como os recursos da igreja são aplicados, e também impactou os funcionários que se prontificaram a estar indo nas igrejas para fazer as palestras e pregar sobre a importância da fidelidade na vida espiritual das igrejas.” (Runi Clesio, Tesoureiro Assistente AMC, declaração pessoal, 2025).
Todo esse processo permite aos colaboradores da Associação aprenderem e aprofundarem seus conhecimentos no que diz respeito à missão e à fidelidade da igreja. Para que eles estejam preparados e prontos para ministrar essas palestras e mensagens, é necessário um preparo consistente, com acompanhamento, orientação e estímulo. Esse processo promove uma aproximação que se assemelha a um discipulado, em que há aprendizado, reflexão e desenvolvimento mútuo.
Fica claro que, dentro desse processo de aprendizado e aprofundamento, ocorre o crescimento dos colaboradores, tanto em sua compreensão espiritual quanto em sua capacidade de comunicação. O grande ganho, no entanto, não se limita à equipe do escritório. Como associação e como igreja, o maior benefício está em transmitir esse conhecimento e aprendizado aos membros da igreja, oportunizando que eles também cresçam, ampliem sua visão sobre fidelidade e missão, e se fortaleçam espiritualmente.
Ordenação Pastoral
Um dos momentos mais felizes da minha caminhada dentro da organização da igreja foi ser reconhecido, mesmo que de forma inesperada, como ministro ordenado da Igreja. A ordenação ao ministério ocorreu após muitos anos servindo a Deus na área de tesouraria, e essa conquista, sem dúvida, se deve ao apoio da minha família e de todos aqueles que, em algum momento, contribuíram para a minha trajetória na igreja.
“Me senti honrado em prestigiar esse momento tão especial na vida do meu amigo Daniel Grubert e de sua família, quando foi ordenado ao Ministério Pastoral, com o propósito de seguir cumprindo a Missão do Senhor Jesus. Tive o privilégio de apreender muito com sua liderança empreendedora, visionária e missionária, nos 10 anos que trabalhamos juntos. Sempre nos incentivando e desafiando a dedicar o melhor para o Senhor.” (Reltimann Ribeiro, Tesoureiro Geral ASM, declaração pessoal, 2025).
Essa caminhada foi marcada por muito aprendizado. Ao longo dela, aprendi muito e também ensinei. Foi uma jornada de crescimento, onde fui acompanhado e apoiado por grandes amigos e parceiros, mas também onde pude mentorear muitos líderes que hoje atuam em diversas associações pelo Brasil. Essa trajetória foi, ao mesmo tempo, uma caminhada de desenvolvimento pessoal e de oportunidades para o crescimento dos meus liderados.
Ao olhar para a liderança que exerço hoje, percebo que ainda tenho muito a aprender, mas também muito a colaborar com a nossa organização.
A ordenação aconteceu no ano de 2023, no mês de outubro, quando as mãos foram impostas sobre a minha cabeça, simbolizando a bênção de Deus para o desenvolvimento do ministério. Esse momento foi ainda mais especial porque, no mesmo dia, tive o privilégio de batizar a família do Fernando — uma família pela qual desenvolvi um carinho especial e uma amizade sincera. Durante um ano, estudamos juntos a Palavra de Deus, e, para coroar esse momento tão significativo, pude levá-los às águas batismais.
Sem dúvida, essa foi a maior bênção do pastoreio: levar pessoas aos pés de Cristo, ensinando-as, mentoreando-as e contribuindo para o desenvolvimento delas para o Reino de Deus.
A verdadeira liderança com valores consiste em inspirar pessoas a crescerem e a se desenvolverem, promovendo transformação, fidelidade e serviço com propósito. Liderar com propósito é caminhar junto com as pessoas, inspirando-as a viverem os valores e a missão de Deus, promovendo crescimento pessoal, espiritual e comunitário.
Base de conhecimento e reflexão:
Liderança pessoal é, acima de tudo, uma jornada única que começa com o autoconhecimento. Não se trata apenas de assumir responsabilidades no trabalho ou influenciar outros, mas de olhar para dentro e compreender profundamente quem somos, nossos valores e o impacto que queremos ter no mundo. No contexto dinâmico e desafiador em que vivemos, essa habilidade se torna essencial para alcançar equilíbrio, propósito e realização.
Wilkinson enfatiza que o aprendizado efetivo ocorre quando o professor se envolve ativamente no processo de ensino, servindo como uma ponte entre o conteúdo e os alunos. A maneira como o professor conduz o ensino é fundamental para o sucesso da aprendizagem. “Este livro está cheio de conteúdo, mas o processo de aprendizagem só passa a ocorrer de fato, quando o professor começa a ensiná-lo a seus alunos. O professor é o elo vivo entre o conteúdo e a classe, e a forma como ele realiza essa tarefa constitui o cerne do ensino.” (Wilkinson, 2013, p. 13)
A Lei da Aprendizagem pode revitalizar o entusiasmo pelo ensino, oferecendo uma nova compreensão dos conceitos de ensinar e aprender, fundamentada em princípios bíblicos. “Se sua chama de entusiasmo pelo ensino estiver apagada, e você quiser reacendê-la para ter prazer no ensino como já teve antes, então veja a Lei da Aprendizagem. No capítulo 1 podemos ver o surpreendente significado dos conceitos ensinar e aprender, de acordo com a perspectiva da Bíblia.” (Wilkinson, 2013, p. 15)
É interessante perceber que Northouse destaca a natureza paradoxal da liderança servidora, que combina o ato de servir com a capacidade de influenciar. Esse modelo de liderança mostra que servir aos outros não exclui a liderança, mas, ao contrário, fortalece o papel do líder ao colocar as necessidades dos outros como prioridade. “A liderança servidora é um paradoxo: ao mesmo tempo serviço e influência.” (Northouse, 2019, p. 227)
Northouse reforça que líderes servidores são guiados pelo compromisso de beneficiar os outros, investindo no crescimento e desenvolvimento pessoal dos seguidores. Essa postura transforma a liderança em uma prática de serviço genuíno e cria um ambiente de trabalho mais colaborativo e sustentável. “Líderes servidores colocam o bem dos seguidores acima de seus próprios interesses e enfatizam o desenvolvimento dos seguidores.” (Northouse, 2019, p. 228)
Liderar significa buscar não apenas o crescimento pessoal, mas também ajudar os outros a alcançar seu potencial. Abraham Maslow, com sua teoria da hierarquia das necessidades, nos lembra que a autorrealização é o ponto mais alto do desenvolvimento humano: “a liderança pessoal está em viver alinhado com o que há de mais autêntico e elevado em si mesmo” (Maslow, 1943).
Amartya Sen, em Desenvolvimento como Liberdade, amplia essa ideia ao dizer que “a verdadeira liberdade está na capacidade de agir de maneira plena e consciente, explorando todo o potencial humano” (Sen, 1999). Essa liberdade não é apenas individual, mas coletiva. Um líder cria espaços para que todos ao seu redor também floresçam.
Liderança não é apenas sobre quem somos, mas sobre como inspiramos os outros. Peter Drucker, em The Practice of Management, argumenta que “a principal tarefa de um líder é desenvolver outros líderes” (Drucker, 1954). Essa abordagem transforma a liderança em algo coletivo, onde o foco é criar um impacto duradouro.
A liderança começa com a capacidade de liderar a si mesmo. Para isso, é necessário mergulhar no processo de autodescoberta e assumir as rédeas das próprias escolhas. Como Simone de Beauvoir coloca, “a liberdade de cada indivíduo está intrinsecamente conectada à liberdade dos outros” (Beauvoir, 1949/2009). Isso significa que, para liderarmos de forma genuína, precisamos primeiro nos libertar de preconceitos e limitações que podem nos impedir de avançar.
Peter Senge, em A Quinta Disciplina, enfatiza que “o aprendizado pessoal é fundamental para construir organizações que aprendem” (Senge, 1990/2006). No entanto, esse aprendizado não é um destino final, mas uma jornada constante, repleta de ajustes e reflexões. A liderança pessoal exige que estejamos dispostos a revisitar nossas crenças, reformular nossas perspectivas e crescer continuamente.
Aprender é uma prática central para liderar. John Dewey descreve a educação como um processo contínuo de reconstrução da experiência (Dewey, 1916/1980). Essa ideia nos lembra que cada desafio, cada obstáculo e cada vitória são oportunidades de crescimento. Quando refletimos sobre nossas experiências, transformamos erros em aprendizados e incertezas em direções mais claras.
Conclusão
A liderança pessoal é uma jornada que combina aprendizado, mentoria e desenvolvimento humano. Esses pilares nos ajudam a crescer como indivíduos e a inspirar outros a fazerem o mesmo. Como Carl Rogers destaca: “a boa vida é um processo, não um estado de ser” (Rogers, 1961). Assim, liderar é estar em constante evolução, aprendendo com nossas experiências e contribuindo para o crescimento dos outros.
Referências:
Beauvoir, S. (1949/2009). O Segundo Sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Dewey, J. (1916/1980). Democracia e Educação. Trad. A. Coelho. São Paulo: Martins Fontes.
Drucker, P. (1954). The Practice of Management. New York: Harper & Row.
Maslow, A. H. (1943). A Theory of Human Motivation. Psychological Review, 50(4), 370-396.
Northouse, P. G. (2019). Leadership: Theory and Practice (8ª ed.). Sage Publications.
Rogers, C. (1961). Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes.
Sen, A. (1999). Desenvolvimento como Liberdade. Trad. L. Tenório. São Paulo: Companhia das Letras.
Senge, P. (1990/2006). A Quinta Disciplina. Rio de Janeiro: Elsevier.
Wilkinson, B. (2013). As 7 leis do aprendizado: Como ensinar quase tudo a praticamente qualquer pessoa (E. Pasquini, Trad.). Editora Betânia.



