Competência 4: Comunicação intercultural e globalização
Comunicação Intercultural e Globalização
Introdução
Nos últimos anos, tenho percebido como a comunicação intercultural se tornou um tema essencial no meu dia a dia, especialmente em um mundo tão conectado pela globalização. As interações transculturais, que antes pareciam algo distante, agora estão presentes em quase todos os contextos: nas empresas, nas escolas, e até mesmo nas redes sociais. Eu vejo isso não apenas como uma oportunidade, mas também como um desafio, pois nem sempre é fácil compreender os valores e costumes de outra cultura. Por isso, acredito que é fundamental entender as nuances da comunicação entre culturas diferentes para evitar mal-entendidos e promover colaborações mais enriquecedoras.
Vivemos em um mundo onde as distâncias parecem cada vez menores. A tecnologia nos permite trabalhar, estudar e interagir com pessoas de diferentes partes do planeta como se estivessem ao nosso lado. Mas, mesmo que as barreiras físicas tenham diminuído, ainda existe um grande desafio: entender o outro, suas diferenças, seus valores, sua forma de ver o mundo. É aí que entra a comunicação intercultural, uma ponte essencial para construir relações mais respeitosas, justas e produtivas em um cenário de globalização cada vez mais intenso.
A globalização trouxe novas oportunidades, mas também trouxe complexidade. Hoje, as equipes de trabalho são muitas vezes compostas por pessoas de diferentes nacionalidades, idiomas e crenças. As reuniões acontecem online, as decisões são tomadas de forma colaborativa, e os projetos precisam respeitar as realidades culturais de cada região. Nesse contexto, comunicar-se bem não é só falar a mesma língua, mas compreender os significados por trás das palavras, o tom de voz, o gesto, o tempo de resposta. É ter sensibilidade para perceber que o silêncio em uma cultura pode ser sinal de respeito, enquanto em outra pode ser interpretado como desinteresse.
A comunicação intercultural nos desafia a sair da nossa zona de conforto. Ela nos convida a refletir sobre nossos próprios hábitos e preconceitos, a abrir espaço para o diferente e a buscar aprender com o outro. É um processo que exige curiosidade, humildade e paciência. Quando conseguimos olhar para o mundo com menos julgamentos e mais escuta, descobrimos que as diferenças não são barreiras, mas fontes de aprendizado e inovação.
No contexto da globalização, essa habilidade se torna ainda mais crucial. Projetos, decisões e negociações acontecem em tempo real, atravessando fronteiras culturais. A maneira como nos comunicamos, seja em uma reunião, em um e-mail, ou até em uma simples mensagem, pode aproximar ou afastar pessoas, pode resolver problemas ou criar conflitos desnecessários. Ter consciência intercultural é um diferencial que nos ajuda a construir pontes em vez de muros, a colaborar de forma mais eficaz e a criar soluções que considerem diferentes perspectivas.
Por outro lado, a globalização também nos mostra como somos interdependentes. Nenhuma cultura existe isolada. O que acontece em um canto do mundo pode impactar todos nós. Aprender a comunicar-se de maneira mais sensível, mais aberta e mais inclusiva não é apenas uma habilidade profissional; é uma necessidade humana.
No final das contas, comunicação intercultural e globalização caminham juntas. Elas nos lembram que viver em um mundo conectado exige muito mais do que tecnologia, exige empatia, respeito e disposição para crescer junto. Não se trata de apagar as diferenças, mas de celebrá-las, de aprender com elas e de criar espaços onde todos possam contribuir com o que têm de melhor.
A comunicação intercultural nos desafia a enxergar além das palavras e a reconhecer o valor das diferenças em um mundo globalizado. Quando aprendemos a ouvir com empatia, a respeitar outras culturas e a nos adaptar aos diferentes contextos, construímos pontes de entendimento que vão muito além do trabalho: criamos conexões humanas mais significativas. A globalização nos aproxima fisicamente, mas é a comunicação intercultural que nos conecta de verdade, transformando o mundo em um espaço mais justo, colaborativo e inclusivo.
Documentos das experiências vividas:
Avaliação experiências vividas:
Ilha do Bananal TO
Dentro da perspectiva de conhecer novas culturas e estabelecer uma comunicação com novos povos, tive a oportunidade de fazer uma viagem para a Ilha do Bananal e conhecer uma outra cultura: a cultura indígena. É interessante perceber e vivenciar um modo de vida tão diferente do nosso — uma cultura simples, que tem muito a nos ensinar, mas que, ao mesmo tempo, nos leva a refletir e a sermos gratos por tudo o que temos e pelas oportunidades que nos são concedidas.
“Nossa visita missionária à Ilha do Bananal foi uma experiência transformadora, que ampliou minha visão de mundo e nos marcou profundamente ao vivenciarmos de perto a realidade e a fé das pessoas que ali vivem.” (Daniel Verissimo, Tesoureiro Geral Piauí, declaração pessoal, 2025).
Ao visitar o povo indígena em nosso país, pude observar as dificuldades, as mazelas e os problemas enfrentados por essas comunidades. Além de promover um crescimento pessoal, essa experiência também me proporcionou a oportunidade de compartilhar reflexões com meus liderados, que me acompanharam nessa visita. Foi algo de extrema relevância para todos nós.
Precisamos cultivar um coração grato. Essa comunicação intercultural, esse compartilhamento de experiências, nos ajuda a entender e a ressignificar nossas ações, decisões e escolhas. Essa sensibilidade é fundamental para liderarmos com empatia, sempre nos colocando no lugar do próximo e buscando compreender suas realidades e necessidades.
Intercambio Educacional EUA
As oportunidades que nos são concedidas por trabalharmos para a igreja muitas vezes nos fazem parar para agradecer por pertencermos a essa organização. No ano de 2023, tive a alegria de ser selecionado para participar do intercâmbio educacional da Educação Adventista nos Estados Unidos. Conhecer uma nova cultura, visitar as instituições da igreja, perceber e entender tudo de bom que pode ser extraído desse grande e importante país fez – e ainda faz – uma diferença significativa em minha vida.
“A União Sudeste Brasileira da Igreja Adventista do Sétimo Dia expressa sua profunda gratidão pelo empenho e apoio de todos os envolvidos no Intercâmbio de Desenvolvimento Cultural e Linguístico realizado nos Estados Unidos. Destaco a participação do Pr. Daniel Grubert nesta iniciativa, que teve como objetivo ampliar os horizontes de conhecimento e proporcionar uma visão global aos participantes, foi um marco significativo para nossa rede educacional.” (Diesco Mosmann, Tesoureiro Assistente Educação USEB, declaração pessoal, 2025).
A troca de experiências, o contato com uma nova cultura e os desafios inerentes a estar em um ambiente que nos traz desconforto são, sem dúvida, enriquecedores para o exercício da liderança. É claro que toda cultura apresenta pontos positivos e negativos. No caso dos Estados Unidos, trata-se de um país com características culturais como o secularismo, a indiferença e uma menor sensibilidade espiritual, o que nos leva a refletir sobre as formas de avançar e crescer, sem deixar de valorizar o que é mais importante: as pessoas.
Liderar é justamente isso: analisar os objetivos e entender que eles precisam ser alcançados sem pisar, ferir ou magoar as pessoas. É alcançar resultados com sensibilidade, empatia e foco no bem-estar coletivo, promovendo o crescimento pessoal e espiritual de cada membro da equipe.
A comunicação intercultural é essencial em um mundo globalizado, pois nos desafia a ouvir, aprender e construir pontes de entendimento que superam as barreiras culturais e promovem um diálogo mais humano e inclusivo.
Base de conhecimento e reflexão:
A comunicação intercultural nunca foi tão essencial como no mundo globalizado de hoje. Vivemos em um contexto onde fronteiras culturais são atravessadas diariamente, seja por meio de interações virtuais, viagens ou colaborações internacionais. Essa realidade traz desafios únicos, mas também grandes oportunidades de aprendizado e conexão.
Hiebert destaca que a verdadeira conversão cristã vai além de mudanças superficiais no comportamento ou nas crenças; ela requer uma transformação profunda na cosmovisão do indivíduo. Essa perspectiva enfatiza a importância de abordar as raízes culturais e cognitivas que moldam a compreensão do mundo para uma fé autêntica e duradoura. “A conversão ao cristianismo precisa envolver três níveis: comportamento, crenças e a cosmovisão subjacente a eles […] se a mudança comportamental era o foco do movimento missionário no século XIX e a mudança de crenças era foco no século XX, a transformações de cosmovisões precisa ser a tarefa central no século XXI.” (Hiebert, 2016, p. 14)
É definido por Hiebert que as cosmovisões como os alicerces invisíveis que influenciam a percepção e o comportamento humano. Compreender essas estruturas é essencial para qualquer esforço de comunicação intercultural eficaz, especialmente na missão cristã. “As cosmovisões são os pressupostos mais profundos que moldam a maneira como as pessoas veem o mundo e vivem nele.” (Hiebert, 2016, p. 25)
Em argumento Hiebert indica que sem uma mudança na cosmovisão, as conversões podem não ser sustentáveis. Isso ressalta a necessidade de um discipulado que vá além do ensino doutrinário, abordando também as estruturas profundas de pensamento e percepção. “A transformação de cosmovisões é central para a missão cristã, pois sem ela, as mudanças de comportamento e crença podem ser superficiais e temporárias.” (Hiebert, 2016, p. 263)
Segundo Hiebert a cosmovisão cristã deve ser enraizada na Bíblia, influenciando todas as áreas da vida do crente. Isso implica uma integração entre fé e prática, onde as Escrituras orientam não apenas as crenças, mas também as ações e decisões diárias. “Uma cosmovisão bíblica deve ser fundamentada nas Escrituras, moldando a maneira como os cristãos percebem e interagem com o mundo.” (Hiebert, 2016, p. 300)
No meu cotidiano, percebo que a habilidade de se comunicar eficazmente com pessoas de diferentes origens culturais é uma ferramenta poderosa. Essa competência vai além de falar o mesmo idioma: trata-se de compreender valores, tradições e contextos. Edward T. Hall (1959), ao falar sobre culturas de “contexto alto” e “contexto baixo”, me ajudou a entender que, enquanto algumas sociedades priorizam mensagens implícitas, outras preferem comunicação direta e objetiva. Reconhecer essas diferenças é o primeiro passo para evitar mal-entendidos e construir pontes.
Geert Hofstede (1980) também me fez enxergar as interações culturais de outra forma. Suas dimensões culturais, como individualismo versus coletivismo e distância hierárquica, me ajudaram a entender por que algumas culturas são mais focadas no grupo enquanto outras valorizam mais a individualidade. Em uma reunião internacional recente, percebi como essas diferenças podem afetar a tomada de decisões e o trabalho em equipe.
No entanto, também é importante reconhecer os desafios. Janet Bennett (1993) descreve como a sensibilidade intercultural é um processo, algo que vivencio diariamente. Nem sempre é fácil alcançar o nível de integração que ela menciona, mas acredito que vale a pena o esforço.
Milton Bennett (1998) complementa essa ideia com seu Modelo de Competência Intercultural. Ele afirma que a empatia é fundamental, algo que tento aplicar em todas as minhas interações. Já Nancy Adler (2008) enfatiza como a diversidade cultural pode ser uma vantagem competitiva, o que me motiva a continuar aprendendo e me adaptando.
Outro autor que me impactou foi Clifford Geertz (1973), que definiu a cultura como um “sistema de significados compartilhados”. Isso me fez perceber que, para realmente me conectar com pessoas de outras culturas, preciso ir além das palavras e entender os símbolos e significados que moldam suas vidas diárias.
A globalização não é apenas um fenômeno econômico, mas também social e cultural. Como Anthony Giddens (1990) afirma, ela intensifica as interações entre pessoas de todo o mundo. Contudo, como Zygmunt Bauman (2000) apontou, vivemos em uma modernidade líquida, onde as relações são mais fluidas e, por vezes, mais instáveis. Essa fluidez exige uma capacidade constante de adaptação e aprendizado.
Milton Bennett (1998), com seu Modelo de Competência Intercultural, reforça que a empatia é a chave para superar barreiras. Já vivenciei momentos em que apenas ouvir ativamente e demonstrar interesse genuíno fizeram toda a diferença em uma interação complexa. Essa prática não apenas resolve conflitos, mas também fortalece laços interpessoais.
Conclusão
A comunicação intercultural é um desafio constante, mas também uma oportunidade rica de crescimento pessoal e profissional. Cada interação transcultural é uma chance de aprender algo novo, de expandir horizontes e de construir conexões mais significativas. Fica claro a ênfase que os autores nos ensinam, a chave está em desenvolver empatia, inteligência cultural e uma mentalidade aberta. Em um mundo onde as diferenças culturais estão mais evidentes do que nunca, essas habilidades não são apenas desejáveis, mas essenciais.
Referências:
Adler, N. J. (2008). International dimensions of organizational behavior. Cengage Learning.
Bauman, Z. (2000). Liquid modernity. Polity Press.
Bennett, J. M. (1993). Developing intercultural sensitivity: An integrative approach to global and domestic diversity. Diversity Training.
Bennett, M. J. (1998). Basic concepts of intercultural communication. Intercultural Press.
Geertz, C. (1973). The interpretation of cultures. Basic Books.
Giddens, A. (1990). The consequences of modernity. Stanford University Press.
Hall, E. T. (1959). The silent language. Doubleday.
Hiebert, P. G. (2016). Transformando cosmovisões: Uma análise antropológica de como as pessoas mudam (C. E. S. Lopes, Trad.). São Paulo: Vida Nova.
Hofstede, G. (1980). Culture’s consequences: International differences in work-related values. Sage Publications.



