Competência 1: Fundamentos filosóficos, ética e valores
Liderança Pessoal: Fundamentos Filosóficos, Éticos e Valores
Introdução
Liderar a si mesmo é um desafio diário e, ao mesmo tempo, uma das maiores conquistas que podemos alcançar. Mais do que uma habilidade, é um compromisso com aquilo que realmente importa: viver de forma coerente com nossos valores, agir com responsabilidade e buscar crescer constantemente.
Quando pensamos em liderança pessoal, não se trata apenas de fazer escolhas acertadas ou de seguir regras. É sobre olhar para dentro, entender quem somos e o que queremos deixar como legado. É alinhar nossas atitudes ao propósito que nos move, mesmo diante de desafios. É compreender que a maneira como escolhemos viver afeta não só nossa própria vida, mas também o ambiente ao nosso redor.
Filosoficamente, a liderança pessoal nos convida a refletir sobre as grandes questões da existência: o sentido da vida, a importância da virtude, a busca por um propósito maior. É um caminho de aprendizado constante, onde cada decisão nos ajuda a moldar nosso caráter.
A ética é o fio condutor desse processo. Liderar com ética é agir com justiça, respeitar o outro, escolher o certo mesmo quando seria mais fácil fazer o contrário. É lembrar que nossas ações têm impacto, e que o verdadeiro crescimento vem de decisões honestas, que consideram o bem coletivo e não apenas interesses próprios.
Nossos valores são como um mapa interno. Eles guiam nossas escolhas, mostram o que é inegociável e nos lembram o que queremos ser. Honestidade, respeito, compaixão, generosidade, cada pessoa carrega os seus, e é isso que dá sentido às nossas decisões diárias.
Liderar a si mesmo é um processo contínuo, sem fórmulas prontas. Não é sobre ser perfeito, mas sobre ser íntegro. É sobre tentar de novo quando erramos, refletir sobre nossas atitudes e, sempre que possível, agir de maneira justa e empática.
No fim, liderança pessoal é muito mais do que alcançar metas ou ser reconhecido. É a maneira como escolhemos viver: com autenticidade, propósito e disposição para fazer a diferença na vida dos outros. Quando vivemos assim, inspiramos pelo exemplo e contribuímos para um mundo melhor, um gesto de cada vez.
Liderar a si mesmo é o primeiro passo para transformar o mundo à nossa volta. Quando vivemos de acordo com nossos princípios e buscamos crescer como pessoas, somos capazes de inspirar e fortalecer aqueles que caminham conosco. A verdadeira liderança começa no coração, reflete-se em nossas atitudes e ecoa nas vidas que tocamos.
Documentos das experiências vividas:
Avaliação experiências vividas:
Clube Desbravadores Colmeia
– Quando se fala em valores éticos e fundamentos filosóficos, uma das primeiras instituições que me vêm à mente, e que me ajudaram significativamente em minha formação, é o Clube de Desbravadores. Foi no Clube que pude aprender sobre Deus e sobre os cuidados que devemos ter com o nosso próximo. Aprendi valores que me auxiliam até hoje na tomada de decisões, nas escolhas que faço e no cuidado que devo ter com o meu próximo, bem como no respeito e zelo pela criação de Deus.
“Olá, sou Michele, irmã do Daniel. Juntos, frequentamos o Clube de Desbravadores, onde vivenciamos muitas experiências que contribuíram significativamente para a formação do nosso caráter. Foram momentos marcantes de amizades, aprendizados, viagens, acampamentos e diversas outras atividades que, dentro do contexto, foram essenciais para que nossa formação estivesse alinhada com as propostas da igreja. Certamente, o Clube de Desbravadores desempenhou um papel importante no desenvolvimento da nossa liderança, espiritualidade e habilidades sociais, moldando nossa vida de maneira positiva e impactante.” (Michele Grubert Wordell, Sócia-Proprietária da Escola Mamãe Coruja, declaração pessoal, 2025).
Para mim, o Clube de Desbravadores representa a base do conhecimento que aplico na vida cotidiana. A interação que o Clube me proporcionou, as amizades formadas e as lições aprendidas ainda se aplicam hoje em minha família, na igreja e no ambiente de trabalho. O Clube de Desbravadores significa muito em minha vida, pois acredito que ele seja a maior agência de formação de líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Além disso, o Clube simboliza a base dos líderes que hoje servem à igreja, promovendo princípios éticos, filosóficos e valores fundamentais para a vida cristã e para a sociedade.
Pequeno Grupo de Líderes
Um projeto muito interessante e bonito que foi desenvolvido em parceria com o escritório da Associação foi o projeto de pequenos grupos para os colaboradores. Nesse projeto, uma vez por semana, nos reuníamos para dialogar, conversar, estudar a Palavra de Deus e também abordar algum tema pertinente ao nosso dia a dia e à nossa profissão. Esse investimento de tempo nos colaboradores permitiu que eu me aproximasse ainda mais deles, conhecendo suas realidades e desafios. Passei a ter um olhar mais simpático e personalizado sobre cada um, entendendo melhor suas necessidades.
“O pequeno grupo além de estimular o grupo a fortalecer vínculos e relações interpessoais, ele também foi uma oportunidade de aprendizado, compartilhamento de experiências e conhecimento. Foi benção!” (Kelly Almeida, Secretaria AMC, declaração pessoal, 2025).
Esse cuidado e o tempo dedicado aos colaboradores permitiram que o desenvolvimento da ética, dos valores e dos princípios, norteados por nossos fundamentos filosóficos, florescessem dentro do ambiente do escritório. A cada quatro meses, parávamos para realizar uma celebração, na qual cada pequeno grupo compartilhava o que aprendeu e desenvolveu durante aquele período. Esse é um momento gratificante, pois podemos perceber o crescimento de cada colaborador, tanto pessoal quanto profissionalmente.
Promover e participar desse projeto permitiu-me vivenciar de forma mais intensa os valores cristãos, éticos e filosóficos da nossa igreja, além de fortalecer o senso de comunidade e propósito entre os membros da equipe.
Liderar com valores é essencial para formar líderes capazes de inspirar, transformar e servir com propósito e responsabilidade.
Base de conhecimento e reflexão:
Liderança pessoal é sobre muito mais do que controlar ou gerenciar. É uma jornada profunda e contínua que começa com o entendimento de quem somos, o que valorizamos e como escolhemos viver nossas vidas. Em um mundo dinâmico, onde somos constantemente desafiados por demandas sociais, profissionais e emocionais, assumir as rédeas da própria vida se torna uma necessidade vital.
Sire define a cosmovisão como um conjunto de pressupostos fundamentais que moldam nossa compreensão da realidade. Esses pressupostos, muitas vezes inconscientes, influenciam nossas decisões e ações diárias. Reconhecer e examinar nossa própria cosmovisão é essencial para entender como percebemos o mundo ao nosso redor. “Uma cosmovisão é um conjunto de pressupostos (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas) que temos (conscientemente ou inconscientemente, consistentemente ou inconsistemente) sobre a composição básica do nosso mundo.” (Sire, 2018, p. 17)
Segundo Sire “A luta para descobrir nossa própria fé, nossa própria visão de mundo, nossas crenças sobre a realidade são sobre isso que este livro fala.” (Sire, 2018, p. 19). O atuor enfatiza que o propósito de sua obra é auxiliar os leitores na jornada de autodescoberta de suas crenças fundamentais. Ele reconhece que essa busca é desafiadora, mas essencial para desenvolver uma compreensão coerente e significativa da vida.
Para Johnson (2024) a ética deve ser o núcleo da liderança, servindo como guia para as decisões e ações dos líderes. Fica evidente a importância de líderes agirem com integridade e de forma alinhada a princípios éticos, influenciando positivamente as pessoas e a cultura organizacional. Johnson (2024) argumenta que a liderança ética está diretamente relacionada ao estímulo à criatividade e à inovação entre os membros da equipe, uma vez que ambientes éticos tendem a ser mais seguros e colaborativos. Esse insight reforça o papel do líder em criar um ambiente de confiança, que favoreça o compartilhamento de ideias e a busca por soluções inovadoras, sem medo de julgamentos ou represálias.
Segundo Johnson (2024), os líderes têm a responsabilidade de atuar de maneira a promover o bem-estar de seus liderados, evitando atitudes e decisões que possam prejudicar as pessoas ou o ambiente de trabalho. Essa ideia é fundamental para compreender o impacto do comportamento do líder no clima organizacional, lembrando que cada decisão pode gerar consequências positivas ou negativas para o grupo. Johnson (2024) alerta que quanto maior o poder de um líder, maior também é o risco de abusos, o que exige atenção redobrada à ética e à responsabilidade no exercício da liderança. Esse ponto é um alerta essencial sobre os perigos do poder mal utilizado, reforçando a necessidade de limites, prestação de contas e transparência na liderança.
A liderança pessoal nos desafia a adotar uma postura ativa diante da vida. Não se trata de reagir às circunstâncias, mas de escolher conscientemente como queremos agir em cada situação. Como Viktor Frankl sabiamente afirmou, “a última das liberdades humanas é a capacidade de escolher a própria atitude em qualquer circunstância” (Frankl, 1946/2008). Essa liberdade interior é um lembrete de que, mesmo nas situações mais difíceis, temos o poder de moldar nosso destino.
No entanto, essa jornada exige prática e consistência. Aristóteles nos ensina que “a virtude é adquirida pelo hábito” (Aristóteles, 350 a.C./1998). Não basta querer ser um bom líder de si mesmo, é preciso cultivar continuamente hábitos que reflitam nossos valores e objetivos. Cada decisão, por menor que seja, contribui para a construção do caráter e da integridade.
Valores também desempenham um papel essencial na liderança pessoal. Max Weber, em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, destaca que nossas ações são orientadas pelos princípios que escolhemos seguir. Ele afirma que “a conduta orientada por princípios é essencial para o progresso” (Weber, 1905/2004). Alinhar-se a valores autênticos nos dá uma direção clara e nos protege das pressões externas que podem nos desviar de nossos propósitos.
Liderança pessoal também requer responsabilidade. Como John Rawls sugere, “a justiça é o primeiro valor das instituições sociais” (Rawls, 1971/2002). Essa ideia pode ser estendida à nossa própria vida: somos as primeiras “instituições” que devemos governar com equilíbrio e justiça, harmonizando nossos interesses pessoais com as necessidades coletivas. Isso significa tomar decisões que não apenas beneficiem a nós mesmos, mas que também contribuam para o bem-estar daqueles ao nosso redor.
Por fim, a liderança pessoal é um compromisso diário com o aprendizado e a reflexão. Como Stephen Covey aponta, “a liderança pessoal está em agir de acordo com os princípios corretos” (Covey, 1989). Isso nos desafia a viver com integridade, mesmo quando enfrentamos adversidades. É uma prática que requer autoconhecimento, coragem e uma visão clara de onde queremos chegar.
Conclusão
Liderança pessoal é sobre encontrar equilíbrio em um mundo caótico, assumindo responsabilidade pelas próprias escolhas e vivendo de acordo com valores duradouros. É um processo dinâmico e, como Aristóteles nos lembra, “a excelência é alcançada quando se faz da virtude um hábito” (Aristóteles, 350 a.C./1998). Essa jornada, apesar de desafiadora, nos oferece a oportunidade de viver com propósito, liberdade e significado, inspirando os outros ao nosso redor.
Referências:
Aristóteles. (350 a.C./1998). Ética a Nicômaco. Trad. R. W. Sharples. Londres: Penguin Classics.
Covey, S. (1989). Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes. Rio de Janeiro: Elsevier.
Frankl, V. (1946/2008). Em Busca de Sentido. Trad. L. Costa. São Paulo: Editora Vozes.
Johnson, C. E. (2024). Meeting the ethical challenges of leadership: Casting light or shadow (8ª ed.). SAGE Publications.
Rawls, J. (1971/2002). Uma Teoria da Justiça. Trad. C. Velasco. São Paulo: Martins Fontes.
Sire, J. W. (2018). O universo ao lado: Um catálogo básico sobre cosmovisão (5ª ed., Trad. M. Herberts). Editora Monergismo.
Weber, M. (1905/2004). A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Trad. T. Parsons. Londres: Routledge.



