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Daniel Grubert: De Onde Vim

A vinda da família Grubert para o Brasil se deu através de uma viagem realizada por navio saindo do Porto de Trieste na Itália. Os Grubert então chegaram até o Brasil pelo Porto do Rio de Janeiro, após a chegada, a família então se dispersou, muitos indo para os estados do Sul do Brasil. No ano de 1908 era um grande desafio viajar pelo Brasil, porque o país ainda estava em processo de desenvolvimento e a família precisou viajar por muitos dias no lombo de cavalos e carroças. Meu bisavô Rodolfo Grubert se instalou no Rio Grande do Sul e ali constituiu família. Teve seis filhos sendo que um destes, o meu avô Zebaldo Grubert, constituiu família com minha avó Iracema Desbescéu, estes por sua vez tiveram dois filhos sendo um desses meu pai Carlos Roberto Grubert, que posteriormente conheceria minha mãe Elaira Beatriz Rauber, que iriam posteriormente residir em Ijuí. Minha família é composta por quatro irmãos sendo que três meninas e um menino.

Eu cresci em um bairro chamado progresso e ali pude desenvolver muitas amizades e também criar uma paixão especial pelos esportes, pelas atividades físicas. Esse é um bairro humilde e, na frente da minha casa morava o irmão do meu pai, Cláudio e também o irmão da minha mãe Julio, como foi bom crescer com pessoas tão especiais e queridas para mim, podendo ali viver de forma intensa o amor fraternal, o amor da família. Mas crescer em um bairro com tantas dificuldades, e não foram poucas as lutas que nós tivemos, me recordo em certa feita de que nós tivemos ali naquele bairro uma grande enchente, a água invadiu muitas casas, inclusive a nossa casa. Ao final dessa enchente o saldo era de muito barro, muitas coisas estragadas, mas a certeza de um Deus que nos cuidou, dos dirigiu e nos protegeu. Também ali pude desenvolver lindas amizades com pessoas de minha idade também com pessoas mais experientes, pessoas estas que lembro até hoje com muito carinho. Lembro por exemplo um amigo chamado Oseias, chamávamos ele de Nenê. Bom amigo, camarada cristão que sempre estava conosco de alguma forma nos protegendo e nos guiando também. Também lembro de um outro amigo nosso chamávamos ele de Néca, ele tinha uma oficina e consertava motos, era uma pessoa muito agradável, um bom amigo, uma pessoa muito gentil. Enfim o bairro Progresso significa na minha vida um refúgio, um lugar onde eu posso em minhas memórias voltar e relembrar bons momentos ali vividos.

Ao longo de minha infância e minha adolescência tive a oportunidade e também porque não dizer o privilégio de conviver com meus pais e minhas irmãs em um lar muito afetivo onde ali aprendemos sobre os valores cristãos. Meu pai um adventista de berço e minha mãe, que conheceu igreja através do meu pai nos transmitiram aquilo que existe de mais importante, aquilo que de melhor um pai uma mãe podem deixar para seus filhos, que são justamente os valores cristãos que nós carregamos hoje, que eu carrego. Valores que se ampliaram com a oportunidade de estar estudando em uma escola adventista até a quarta série, ali na escola adventista de Ijuí, pude compreender um pouco mais sobre o amor de Jesus para humanidade, sendo bem específico amor de Jesus para comigo e com minha família.

Quem sabe aquilo de maior destaque sobre essa primeira parte da minha história seja a experiência que eu tive no clube dos desbravadores Colmeia. Pude ali desenvolver muitas habilidades motoras, também pude desenvolver a minha vida espiritual. Viver a liderança que o clube oferece para aqueles que participam, significa em minha vida aquilo que posso dizer e reconhecer que me deu base, para ser a pessoa que hoje me tornei. Através das atividades que nós realizamos seja nos domingos ou aos sábados, seja através do exemplo que muitas vezes chegou através dos nossos líderes ou mesmo dos acampamentos que tivemos a oportunidade e o privilégio de participar. O clube significa crescimento, desenvolvimento das áreas físicas, mentais e também espirituais. Então fica no coração uma eterna gratidão e o reconhecimento da importância do clube de desbravadores para os juvenis para as crianças e porque não dizer para o futuro da nossa igreja.

A um ano atrás recebi a triste notícia do falecimento do pastor Arthur Schimidt. Um grande homem, um grande pastor e foi esse homem, esse pastor que abriu os meus olhos para um maior compromisso com Deus. Pastor Arthur Schimidt foi um homem decente, grande Evangelista, grande líder e grande amigo da família. Perdeu sua vida em um trágico acidente automobilístico, mas deixou no coração de muitas pessoas assim como meu coração a marca de Jesus. Foi ele que me levou ao batismo, expresso aqui toda minha gratidão por Ele ter sido um exemplo de cristianismo, exemplo de liderança, exemplo de trabalho enfim um exemplo de líder e pastor. Ao pastor Arthur toda minha gratidão, todo meu reconhecimento e todo meu carinho, estendido também a sua família linda e querida.

Destaco que toda minha família é composta por músicos. Meu bisavô era integrante da orquestra Sinfônica Municipal de Ijuí e quando ele se tornou adventista ele fundou uma banda na igreja adventista. Nossa família, meu avô, meu pai, meu tio, meus primos e eu, desenvolvemos também o dom do instrumento de sopro e por muitos e muitos anos nós participamos junto a orquestra, tendo a oportunidade de conhecer dezenas de lugares, levando a mensagem de Deus através da música. Infelizmente posso considerar que o ministério da música e, esse dom que Deus deu a mim, é um dom que está sendo negligenciado, ou seja, deixado de lado. São tantos compromissos que hoje temos a desenvolver e a necessidade do treino, do ensaio constante me fizeram deixar de lado esse dom que Deus me deu e, que desenvolvi por muitos anos e lindos ano junto à igreja adventista.